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  TEATRO 

Grupo artístico encanta município há 18 anos

Expressões culturais do Garajal alegram, colorem e animam toda a população local

Tudo começou em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, mais precisamente na casa de Mário Jorge Maninho. Após cursos de teatro serem ofertados pela prefeitura para a população maracanauense, em 2003, o Garajal nasceu com a idealização de Maninho e de outros jovens da comunidade. Mesmo após a sua morte, em 2019, o grupo de teatro continuou transmitindo alegria, inovação e afeto.

De origem grega, o teatro é a arte em que os atores ou atrizes interpretam personagens, histórias ou atividades em locais, como a rua ou o palco. Foi dessa forma que o Garajal ganhou estilo, cores, figurinos, espetáculos, público e integrantes, tornando-se um ponto de cultura em Maracanaú e realizando oficinas, cursos e eventos para toda a população.

O nome faz referência a um cômodo da casa de Maninho, que era o local destinado para o armazenamento de bugigangas. A esquete “Rápido”, um tipo de encenação mais curta, foi a primeira apresentação do grupo, usando o nome “Garajal”. Além das esquetes, eles também realizam animações em eventos, Tiragens de Reis, espetáculos de circo, palhaços e peças da dramaturgia e da literatura. Germana Cavalcante, Arnaldo Moura, Angélica Gadelha e Rayane Mendes são os atuais componentes que continuam perpetuando o legado deixado por Maninho.

As fotos acima são de espetáculos, premiações e encontros realizados pelo grupo antes da pandemia (Fotos: Arquivo Garajal)

Espetáculos

Nos festivais, outras pessoas, além dos participantes fixos, também participam das apresentações e atuam junto a eles. Pelo fato do Garajal possuir um pensamento coletivo, as conversas, os personagens e os roteiros são debatidos e definidos em conjunto. “Mesmo que alguém chegue com o texto pronto, ou uma ideia formada, a gente resolve colocar na roda para discussão. Aí, a partir de conversas ou improvisações, nós vamos montando o roteiro”, contou Germana, que trabalha com teatro há 20 anos.

Juntos, eles já estrelaram espetáculos conhecidos como “Romeu e Julieta”, e autorais como “Carolina”. Sempre com adaptações, as apresentações são mescladas com a  cultura do teatro popular e o teatro de rua. Com 18 anos, o Garajal carrega mais de 70 espetáculos em diversos estados e municípios. E, mesmo durante a pandemia da COVID-19 e das restrições, eles conseguiram promover muita cultura teatral na região.

 

O grupo precisou se aderir ao “novo normal” e realizar as encenações, exclusivamente, no meio online. A Queimação de Judas foi adaptada - cada um gravou cenas individuais para o espetáculo e montou uma apresentação mesclando com vídeos de edições passadas. O Reisado, dessa vez, não coloriu as ruas, mas as telas dos dispositivos do público por meio de uma live no Youtube. De acordo com Arnaldo, há uma grande movimentação dos componentes para não deixar que a pandemia derrube as atividades do Garajal. “Estamos trabalhando um espetáculo novo chamado “Na Beira” (...) que está sendo feito inteiramente para plataforma digital”, explicou.

Romeu e Julieta: O encontro de Shakespeare e a cultura popular. Assista completo no instagram @grupogarajal

Amor pela arte

Sobre a arte de teatralizar, todos se referem de maneira afetuosa. Rayane diz que a cultura é como se estivesse revivendo as memórias e histórias, dela e de um povo, principalmente quando o palco é a rua. Já Germana, utiliza essa arte para se entender como pessoa dentro da sociedade e para fazer com que as outras pessoas também possam compreender o mundo em que vivem.

Para todos eles, o Garajal é sinônimo de amor e de vida. Arnaldo conta que é no Garajal que ele encontra a oportunidade de sempre aprender. “É um local onde posso dialogar com a comunidade à minha volta e posso trocar (experiências) com os meus companheiros e companheiras de ofício para tentar, minimamente, entender aspectos importantes para se conviver em sociedade.”

Rayane fala que o grupo de teatro fez parte da sua construção como ser humano e avalia que, na prática, o teatro contribui para o desenvolvimento das pessoas de um modo geral. “É importante pra gente se sentir mais vivo, mais ser humano”, completa. Angélica, também, vê dessa mesma forma. De acordo com ela, o Garajal é um lugar de recomeço, liberdade e de reencontro. Foi nele que ela se viu como uma artista empoderada e potente de diversas formas.

Dessa maneira, assim como os outros participantes, o grupo também significa vida para Germana. “O garajal me fez abrir os olhos pro mundo. A gritar, a lutar pelo que eu quero, tanto pessoalmente como profissionalmente. O Maninho, além de amigo, ele foi como um pai pra mim, trazendo sempre a figura do cuidado, do carinho e do respeito”, finaliza mostrando afeto nas palavras.

A Lei Aldir Blanc, sancionada em 2020, garante o pagamento de um auxílio emergencial a artistas e espaços culturais que foram afetados, economicamente, pela pandemia. Com essa iniciativa, o Garajal conseguiu se manter ativo e continuar realizando espetáculos, mas de forma online, como os Encontros de Palhaçaria, a Queimação do Judas e o Reisado.

HORA DO QUIZ 

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Por Bruna Ramos
@brurdf